sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

POESIA

Há uns tempos atrás, recebi este poema de que gostei particularmente.

POEMA AOS HOMENS CONSTIPADOS (LOBO ANTUNES)

Pachos na testa,terço na mão
Uma botija chá de limão
Zaragatoas, vinho com mel
Três aspirinas,creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno , chamas, diabos
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças.
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja,risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes, fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santíssima à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada
Ai Lurdes ,Lurdes, nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

Bjs e bom fim de semana

Sem comentários: