Quero aqui partilhar convosco as impressões que recolhi da minha visita de estudo, ontem à Assembleia da República, acompanhada por 42 alunos e 5 professores.
Da parte da manhã visitámos o palácio de S. Bento, guiadas por uma menina que nos mostrou a Sala do Senado e a Sala das Sessões onde estivemos sentados, nas mesmas cadeiras, sim nas mesmas cadeiras onde se sentam os nossos ilustres deputados. Imaginem a emoção de estar sentado(a) numa cadeira onde senta um Paulo Portas, ou um Francisco Louçã, ninguém aguenta...Mas ironia à parte o palácio, que foi um antigo convento, é muito bonito e muito bem decorado, e, nos "passos perdidos", podem ver-se pinturas lindíssimas de Columbano Bordalo Pinheiro inclusivé, o parlamentar mais famoso cá do burgo, José Estêvão.
Mas, o que eu mais gostei, foi de assistir ao Plenário que decorreu à tarde.
Depois de termos passado, para aí uma dúzia de agentes da PSP, e de nos terem despojado de todos os nossos haveres, telemóveis incluídos (não percebo como os nossos alunos conseguiram sobreviver 2 horas sem o telemóvel), entrámos nas galerias onde já discursava uma ilustre deputada do PSD (de que não sei o nome) sobre o tema do dia, que era, Serviços de Oncologia e que questionava a Ministra da Saúde, também presente, sobre a política do governo nessa matéria.
Mas, meus amigos, eu já imaginava que os deputados eram indisciplinados, mas não tanto... Apenas prestam atenção aos oradores, ministra incluída, os que querem, depois, intervir para colocar questões porque os outros, "não estão nem aí". Entram tarde, entre a porta de entrada e o lugar que vão ocupar, cumprimentam os que já lá estão com palmadinhas nas costas e conversa de circunstância, atendem o telemóvel, falam em voz alta do fundo da bancada para o início, viram-se de costas para a mesa da presidência enquanto conversam uns com os outros, lêm o jornal, vêm os e-mails, levantam-se, sentam-se, enfim, tudo menos estarem com atenção aos oradores.
Os telefones fixos e móveis não param de tocar e é tal o burburinho que, mesmo havendo amplificação sonora, nas galerias ouve-se muito mal quem está no uso da palavra.
Agora vou dizer-vos quem eu lá vi:Pacheco Pareira que entrou, leu os jornais e saiu com uma maço de jornais debaixo do braço; Vera Jardim, Mota Amaral e José Luís Arnault, o tempo todo em amena cavaqueira. Manuela Ferreira Leite, que parece mais velha ao vivo, entrou depois da hora e saiu antes da hora, e estava sentada ao lado do seu amigo Aguiar Branco. Louça, Rosas, e outras estrelas do BE, Maria de Belém que entrou atrasadíssima e sempre a falar com todos até chegar ao lugar. Maria José Nogueira Pinto, entrou caladinha e sentou-se ao fundo a olhar para o computador. Enfim, da estrelas mediáticas só não vi o paulinho das feiras. Ah! e sabem qual a única que vi trabalhar? A Ana Drago, todo o tempo de volta de uns papéis, que me pareciam Diários da República.
No final, nós os professores, achámos o comportamento dos senhores deputados um exemplo para os alunos...sim, mas um exemplo do que não se deve fazer...


4 comentários:
Isto dava um bom artigo para um jornal!
Muito bem observado! A gente sabe (infelizmente!)que as coisas funcionam assim,mas o certo é que quase não quer acreditar que os nossos impostos andem a sustentar irresponsáveis destes!
Bjs
Isto dava um bom artigo para um jornal!
Muito bem observado! A gente sabe (infelizmente!)que as coisas funcionam assim,mas o certo é que quase não quer acreditar que os nossos impostos andem a sustentar irresponsáveis destes!
Bjs
Estou tão incompetente como alguns deputados! Já dupliquei o comentário outra vez! Peço desculpa!
Nestes magros tempos, a economia sobrepõe-se à palavra e sempre assim foi. Assim, falemos de rentabilidades, objectivos, e etc.
Os telefones tocam. Os papéis despacham-se. A informação é fundamental. Partilham-se ideias.Enfim, um bulício de quem trabalha.
Perspectivas...
Por tudo isto, tenho sempre a secretária cheia de papéis, que não Diários da República!
Enviar um comentário